Eu desconfio a causa da falta:
O coração que é maior que o peito. E, então, não cabe.
Estou em Moscou
De malas (des)feitas.
22.2.11
12.2.11
É só olha para você
E eu sei: não tem jeito. Já tentei de tudo, já refiz os mundos.
Os teus nomes...
os meus versos.
Os teus nomes...
os meus versos.
2.2.11
Ainda agora
Um passarinho pousou na minha janela e me viu e olhou para mim, inclinando o pescoço. Viu-me, olhou-me, eu sorri, voou.
Eu gosto quando eu não preciso pedir. Eu gosto quando o meu pensamento é charada e me dão a exata resposta de presente com fita colorida nos dias em que eu não faço aniversário. Eu gosto, assim, quando é sem preço, quando é telefone tocando no meio da noite e eu atendo "alô" e a pessoa responde "sinto coisa boa por você", quando é palavra que enfeita, quando é só pra ser feliz um minutinho a mais. Eu gosto quando o olho mais que vê, olha. Eu gosto quando um passarinho pousa na minha janela, me vê, me olha com o pescoço inclinado, voa e me deixa assim.
21.1.11
Qualquer dia
Eu apareço por aí, te levo para tomar sorvete comigo, uns versos te recito e mostro como o meu vestido combina muito mais ali, no chão.
"Andar de mãos dadas à beira da praia
Por esse momento eu sempre esperei."
C.V.
11.1.11
É certo
Pois provei uma espécie de verdade: as presenças vão além do que os cinco sentidos captam. Das vezes que encontro-me órfã é porque, de fato, assim sou.
1.1.11
Cheguei
E já sei por onde começar. Vou perder os óculos e voltar a escrever escutando música. A cama em que durmo voltou a ser minha, tenho de dizer. Os discos e livros estão de volta a um único chão. Quem me arruma umas prateleiras? Porque as minhas fraquezas são o que tenho de mais forte. Tenho-as agora reunidas.
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