2.2.11

Ainda agora

Um passarinho pousou na minha janela e me viu e olhou para mim, inclinando o pescoço. Viu-me, olhou-me, eu sorri, voou.

Eu gosto quando eu não preciso pedir. Eu gosto quando o meu pensamento é charada e me dão a exata resposta de presente com fita colorida nos dias em que eu não faço aniversário. Eu gosto, assim, quando é sem preço, quando é telefone tocando no meio da noite e eu atendo "alô" e a pessoa responde "sinto coisa boa por você", quando é palavra que enfeita, quando é só pra ser feliz um minutinho a mais. Eu gosto quando o olho mais que vê, olha. Eu gosto quando um passarinho pousa na minha janela, me vê, me olha com o pescoço inclinado, voa e me deixa assim.

7 comentários:

Ceisa Martins disse...

Ai, Senhor...
Tinha que ser tão virginiana assim?
Tão parecida comigo... Mas esse nosso desejo de estarmos rodeadas de "leitores de pensamentos", amiga... é, infelizmente, sonho que só é sonho! rss


Beijos!

Erica Maria disse...

Flor, que saudades de vc...Tb ando sumida!
Mas vc só mudou de blog ou está mesmo em Moscou?

Bjos!
Adorei o texto!

devaneiosviscerais disse...

Tão lindo isso. É bom quando a vida nor presenteia com boas surpresas, leves e sem pedir nada em troca, e sem precisarmos pedir. Parece que vem na hora certa, naquele momento que precisamos ou no momento que nem esperemos e nos surpreende.
Bem legal. =)

.maria andrade. disse...

criou entre vocês o espaço

Mai disse...

Patrícia,

é fato, é sempre bom "quando o olho mais que vê, olha."

Há dois dias que lembro de você.
Espero que estejas bem.

meu abraço

Nayara Borato disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog ponto final. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs


Narroterapia:
Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.
http://narroterapia.blogspot.com/

Celine Ramos disse...

e eles nem precisam dizer nada. só a presença nos mostra qualquer coisa, que só a nossa alma vê.